A Cidade dos Homens - São Paulo

Praça Circular.

Vidas e culturas diferentes.
Opiniões e humores,
Entretidos e concentrados
Passam pela praça circular.
Cheios de dúvida, dores,
Alegrias, preocupações,
Euforias, risos e caras fechadas.

Eles procuram algo – tem de haver algo!
Além da lógica, livros e todo conhecimento.
Porque essa paisagem,
O clima e as amizades,
A moral imoral e relativas verdades,
Diagnósticos e simulações
Não resolvem as dores da alma.
Nada faz permanecer.

Eu sei, está perto,
Mas não é hora de (se) acabar.
Porque aqui, bem perto,
Onde houver um peito aberto,
Alguém pode mudar o ar
Dessa praça circular.

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Invernia

Vida.

Me pediram motivos,
Justificativas pra esta condição.
A vida é cheia de sofrimento…
Cheia de cobranças e dores,
Gostos amargos e pressões,
Farpas, flechas e decepções,
Setas que apontam seus erros
E agendas que te esquecem.

Cada um tem um sonho,
E o persegue de forma insana e sangrenta,
Pouco importa o próximo.

A vida é cheia de diálogos vazios,
De pessoas que nem lembram seu nome.
Impessoalidades e friezas
De alguém que te usa e some.
A vida é cheia de preocupações…
De realizações que nunca chegam,
De planos que não dão certo,
De sucesso comprado
E derrotas irreversíveis.

Há um desespero nas veias,
Uma agonia nos pulmões,
Maus pensamentos no cérebro,
Raiva nas mãos,
Ira nos lábios,
Cansaço no corpo,
Angústia no coração
E tristeza na alma.
É como o inferno na terra.

Me pediram um motivo.
Às vezes o motivo é a vida.

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A Cidade dos Homens - São Paulo

Tudo Outra Vez.

Um mistério interessante.
Nada tira sua atenção,
A não ser os pontos de parada.
Não sei de onde vêm
Nem pra onde vai,
Mas vai atenta, sempre a ler
Buscando algo a mais.
Pudera eu ser assim.

Eu luto comigo mesmo,
Tento entender meus diálogos,
Ouvir os das pessoas
E o que a vida quer me falar.
Tento absorver sentido,
Enquanro espero o ônibus chegar.

Mas, geralmente,
Nada surpreende.
A apatia de nosso dia
No ônibus – a mesma via
Escassa de alguma vida
Chega a outra partida.

E começa tudo outra vez.

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Invernia

Impérios.

Eu me importo demais com o que dizem.
Escrevo cartas,
Músicas e poemas,
Situações e problemas
Que só existem deste lado do mundo.
Dói, mas me faz ser.

Poeta sem empatia é mercenário.
Escrever sem sentir
E cantar sem crer,
Tocar sem viver
Apenas pra se vender
E esperar ser comprado.

Deus me livre de ser assim.
Prefiro andar triste
Mas sabendo que o amor existe.
É sofrer para salvar corações.
Se humilhar para levantar os caídos.
É a conexão vertical e horizontal
Que me mantém elétrico.
Em meio a impérios egoístas,
A cura se manifesta em mim.
Propósito. De propósito.

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Sem categoria

Fogo.

Um gosto amargo em meus lábios.
Como alguém à beira da passagem.
A atmosfera estava incrível.
O ambiente, excelente.
Aquelas palavras gritadas faziam sentido,
Mas não traziam cura ao coração.
O que aconteceu com a chama em minhas mãos?
Eu as imponho, e não prospero.
Coloco, e não curo.
Será que sou um problema tão grande assim?
Nem todas as línguas estranhas,
Todo o êxtase,
E todo o sentimento comunitário foram suficientes.
Não há avivamento sem reforma.
Espero que isso passe.

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Invernia

Queda. (Parte 1)

Não é sobre o que aconteceu.
Nem sobre as tragédias e o golpe.
Não é o momento…
Eu sou a tragédia além da dor.

Eu ouvia e não entendia.
Por que pessoas abandonam tão fácil?
Uma daquelas frases saltou,
E quer saber?
Nunca fez tanto sentido.

“Não perca seu tempo com pessoas que não valem a pena.”

É isso.
Pudera eu valer a pena.
Mas não tenho nada.
Não sou nada.
E talvez essa seja a Graça.

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A Cidade dos Homens - São Paulo

Cidade do Caos. (Anexo)

O ceticismo acorda cedo.
Veste felicidade,
Travestida de liberdade,
Presos em sua própria vontade.

A mesmice da marginal.
Brigas na central.
Fé mecânica ignora o relacional.

Pingado no bar da esquina.
Jornal: Golpe, tragédia, chacina…
Nada de novo debaixo do sol.
Tudo é sensação e autossatisfação.

O que conhecemos e experimentamos é parcial,
O perfeito virá.
Certo de que esse sofrimento não se compara
Com a sua glória
Morro pro eu, vivo pro eterno,
Trilho uma nova história.

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